Horizonte
O entardecer da adolescência e o início da vida adulta se misturam em um posto de beira de estrada, onde Neto observa o movimento do mundo e imagina os caminhos que poderia seguir. Ana sonha com destinos fantásticos; Fú quer apenas se divertir ao longo da jornada; e Betão, prestes a completar quarenta anos, adia mais uma vez a escolha do rumo a tomar. No olhar de Neto, cada um deles reflete um possível futuro. Neste road movie às avessas, são eles que permanecem parados no acostamento enquanto a estrada se move diante de seus olhos.
“Horizonte” se insere no amplo espectro de obras modernas e contemporâneas que abordam o início da juventude, também conhecidas como “coming of age”. Assim como os filmes do gênero, em “Horizonte” há a descoberta do amor e do sexo nos encontros de Neto e sua amiga Ana, há o companheirismo e os confrontos com os amigos Polenta, Casca, Betão e Fú, e, especialmente, há os sonhos, grandiosos, da vida que gostariam de ter, e os limites, duros, da realidade na qual estão inseridos.






“Horizonte” se insere no amplo espectro de obras modernas e contemporâneas que abordam o início da juventude, também conhecidas como “coming of age”. Assim como os filmes do gênero, em “Horizonte” há a descoberta do amor e do sexo nos encontros de Neto e sua amiga Ana, há o companheirismo e os confrontos com os amigos Polenta, Casca, Betão e Fú, e, especialmente, há os sonhos, grandiosos, da vida que gostariam de ter, e os limites, duros, da realidade na qual estão inseridos.
Porém “Horizonte” conta essa história de amadurecimento a partir de perspectivas pouco usuais: por um lado, mergulha na experiência íntima dos personagens, explorando suas questões existenciais; e, por outro lado, aponta para o contexto socioeconômico, como fonte geradora de conflitos e frustrações. O filme se passa na década de 90, momento em que as práticas neoliberais são intensificadas no país. O que interessa ao projeto é investigar como este terremoto social e econômico reverberou nos recônditos mais íntimos da subjetividade daqueles que o vivenciaram.
Para tanto, a estrutura dramatúrgica de “Horizonte” assemelha-se a uma trama, construída no entrelaçamento dos diversos fios de história de cada personagem. Cada um desses fios apresenta uma progressão dramática sutil. Mas é nas reverberações das histórias umas nas outras (e, em especial, de todas estas na história de Neto) que situações são tensionadas, conflitos são criados e resoluções delineadas.
“Horizonte” trabalha essencialmente com não atores, iluminação natural e som diegético, a fim de captar a vitalidade das situações dramáticas que se desenrolam. Porém este corpo a corpo com o real será trabalhado com precisão técnica e estética buscando modular os estados emocionais necessários ao desenrolar da narrativa. — Jessica Candal
